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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

LABORATÓRIO DE PCTS


Aeee galerinha!
Hoje estou aqui para relatar qual a função desse laboratório dentro da usina, rotina de análises e alguma experiência que eu tive durante o meu tempo de laboratório de PCTS. Portando, tudo o que escreverei aqui é relacionado a usina que trabalhei, podendo haver uma mudança ou outra, dependendo da usina, mas no fim, a função é a mesma.

Bom, começando a sigla PCTS já diz tudo, e talvez nem precise de muitas delongas. Pagamento de Cana por Teor de Sacarose é um laboratório localizado na entrada na usina próximo à balança. Sua função nada mais é que analisar a cana que está entrando na usina e, através do teor de sacarose contido na cana, fazer o pagamento da mesma. É importante saber que é gerado um coeficiente nas análises que depois será multiplicado pelo valor de tonelada de cana. Esse coeficiente é chamado de ATR.

A rotina de análises de um laboratório de PCTS não é nada uma bicho de sete cabeças, mas não é isso que aparenta quando você inicia num laboratório de tamanha importância dentro da usina. As análises que são feitas são:

Balança: é aqui onde tudo começa. O caminhão é pesado e é emitido um Boletim para Análise (B.A.).

Amostragem da cana: feita por uma sonda, podendo ser horizontal, horizontal de trilho ou ainda a mais utilizada hoje em dia, a sonda oblíquoa. A grande diferença é que as horizontais é necessário 3 furos destintos e sorteados (dependendo do sistema), para que possa amostrar pé, meio e ponta. Já a oblíquoa é feito apenas um furo, pois ela o faz em um ângulo de 45º. Cada amostra tem de 7 a 15 kg.


Desfibragem e Homogienização da Amostra: feito através de uma forrageira que é equipada de pás, facas e martelos que tem a intenção de "imitar" o índice de preparo instalado nas moendas. A homogienização é feita através de uma bitoneira que irá homogienizar toda a amostra de cana desfibrada.

Impureza Vegetal e Mineral: são importante para saber as impurezas que estão chegando na usina que, consequentemente, irá prejudicar a fabricação de açúcar e etanol. São impurezas vegetais: folha, palha, resto de árvore, palmito e etc.. São impurezas minerais: terra, areia, pedra, etc..
A impureza vegetal é feita manualmente retirando dos colmos da cana a palha, folhas e alguns eventuais restos de árvores que podem vir junto na colheita. Após retirada, pesa-se essa impureza que é gerado um coeficiente de quanto de impureza vegetal está entrando na usina. O que mais afeta na hora de analisar a cana que entra na usina é o palmito, que é a parte superior da cana que é pobre em sacarose e rica em água. 
A impureza mineral já um pouco diferente. Após a amostra ser desfibrada é reservado um pouco de cada amostra de cada talhão que entra na usina. Depois pega-se 30gramas dessa amostra e coloca-se em um cadim que será incinerado em um forno mufla em uma temperatura de 600-800ºC durante 8 horas.


PBU e Prensa Hidráulica: é o Peso do Bolo Úmido, que nada mais é, que 500g de amostra, prensados a uma força de 250kg/cm³ durante 1 minuto. Abaixo, foto da prensa Hidráulica e o PBU.


ºBrix: depois de sofrer a prensagem, a amostra gera o PBU e o caldo. Primeiro aferimos o ºBrix, através do refratômetro, que tem como objetivo medir a refração dos sólidos solúveis contido naquela solução açucarada. Só para nível de curiosidade, o índice de refração da sacarose é de 1,33 variando conforme a concentração de sacarose.


pH: o pH do caldo é crucial para identificarmos a cana que está chegando na usina. Através do pH podemos apontar se a cana está "azeda" ou até mesmo "velha". A faixa ideal de pH de uma cana boa é de 5,2 a 5,5.

Clarificação do Caldo: a clarificação é feita através de uma mistura de hidróxido de cálcio [Ca(OH)2], cloreto de alumínio [AlCl3] e celite. A mistura é adicionada ao caldo que é agitado para que haja a homogenização da amostra. Após isso, a mistura é passada em um filtro.


Leitura Sacarimétrica: após clarificado, o caldo é passado em um sacarímetro para medir o teor de sacarose contido no caldo.

Após todo esse processo, é gerado através do PBU, ºBrix, pH e Leitura Sacarimétrica o que chamamos de ATR que é o coeficiente de pagamento aos fornecedores de cana. A princípio pode parecer difícil, mas como disse, com o tempo e rotina o trabalho fica fácil. Como eu disse, algumas coisas, como equipamentos de laboratório, pode mudar de usina para usina.

Bom espero que vocês tenham gostado do post e até a próxima! Valeu!

ATR - Açúcares Totais Recuperáveis.
PBU - Peso do Bolo Úmido.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

NOMENCLATURA PARTE 1

Fala galera..
Vocês não tem noção o quanto estou me divertindo com a criação desse blog. O mais legal de tudo que não projeto muito para que as coisas aconteçam. Apenas acontecem. Como prometido hoje eu falarei um pouco da nomenclatura empregada nas usinas. Não sei se colocarei todas aqui, mas tentarei fazer o máximo para que vocês entendam.

Resolvi criar esse post, pois daqui pra frente usarei termos que vocês teram que saber o que é. Portanto, não se preocupem, se houver algum termo no texto que vocês não entenderem, voltem para esse post e fiquem por dentro. Se por ventura a palavra utilizada não estiver aqui, eu crio no final do post uma "obs" para explicar o termo.

NOMENCLATURA

Grau ºBrix: é a palavra mais usada por toda a indústria. É uma escala numérica que mede a quantidade de sólidos solúveis em uma solução açucarada. O ºbrix é aferido por um aparelho chamado refratômetro. Sua escala foi derivada originalmente da escala de Balling, recalculando a temperatura de referência de 15,5 ºC. É importante dizer que essa escala é usada em todas as indústrias de alimento.

Pol: é a quantidade de açúcar contido em uma solução açucarada. A determinação da pol é indispensável para o fornecedor de cana, pois ele é remunerado conforme a quantidade de sacarose na cana fornecida. Esse calculo de pagamento é realizado no Laboratório de PCTS.

PCTS: é um laboratório dentro da usina destinado ao pagamento dos fornecedores de cana. PCTS significa, Pagamento de Cana por Teor de Sacarose. Quanto mais sacarose, mais o fornecedor é remunerado.

Pureza: é a razão da Pol sobre o Brix vezes 100. Exemplo: Se eu tenho uma cana com 14 de Pol e 16 ºBrix, fazendo a divisão e multiplicando por 100 o resultado será de uma cana com Pureza = 87,5. O padrão de pureza ideal é de >85%

AR: são os Açucares Redutores, ou seja, aqueles que não se cristalizam, sendo eles glicose e frutose. Na fábrica de Açúcar quanto menos AR melhor. Na destilaria quanto mais AR melhor.

ART: são os Açucares Redutores Totais, ou seja, os três tipo de açucares existentes na cana: glicose, frutose e sacarose.

pH: é o potencial Hidrogeniônico de qualquer solução. Essa escala que varia de 0 a 14 nos informa como está a solução: ácida, básica ou neutra. pH de 0 a 6,9 a solução está ácida. pH de 7 é uma solução neutra. pH 7,1 a 14 a solução está básica. O importante é que o pH das canas estejam de 5,2 a 5,5, portanto o caldo de cana é um líquido ácido, abaixo disso o caldo está se deteriorando.

Fibra: matéria seca, insolúvel em água, que está contida na cana. Muitas pessoas confundem Fibra e Bagaço, mas são duas coisas diferentes.

Bagaço: Resíduo fibroso resultante do processo de extração do caldo da cana. É queimado na caldeira para produzir vapor e energia. O excedente é estocado. Uma área em expansão em uma usina, hoje, é a cogeração de energia, tocando a indústria com a própria energia e vendendo o excedente.

Continua...